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domingo, 3 de abril de 2011

Novas de Toronto


Na varanda do "meu" quarto no Hotel Luso, no fim-de-semana que o pessoal do BArt 741 passou em Luanda (19 e 20 de Fevereiro de 1966) a caminho da Gabela

Da esq. para a dta.: Vaz, Fonseca, Azevedo e Morais Soares

Quando o meu telemóvel tocou no dia 25 de Março, depois do jantar, pensei que era mais uma chamada de parabéns pelo meu aniversário. Quando no visor apareceu o nome do Silva Pereira, fiquei surpreendido, porque não via como podia ele ter conhecimento da efeméride.

Não tinha, de facto, mas nem por isso aquele telefonema deixou de constituir uma saborosa prenda, pois a surpresa que ele tinha para mim era muito boa. Comunicou-me que acabara de manter uma conversa telefónica com o Edgardo Morais Soares, que foi furriel-miliciano de transmissões na CArt 738, e de quem eu nada sabia desde que, há 44 anos, nos despedimos em Lisboa, e ele regressou à ilha de S. Miguel, onde nasceu. Nem sabia eu, nem sabia nenhum dos outros antigos camaradas com quem contacto mais ou menos frequentemente.

O Morais Soares chegara até ao Silva Pereira através do blogue do Batalhão, que lhe serviu também de caminho para este blogue.


Na véspera do Natal, em 1966, durante a inauguração da "Casa do Soldado", construída pelos militares da CArt 738, no quartel da Sétima, na Gabela, com o patrocínio das senhoras do MNF da Gabela

Sentados da esq. para a dta.: Nunes da Silva, Vaz, Sousa, Fonseca, Ferreira da Silva, Ramalho  (também conhecido por "O Maravilhas") e um agente da PIDE, cujo nome não recordo.
De pé, pela mesma ordem: Azevedo e Morais Soares

Entretanto, e depois de uma troca de mensagens por correio electrónico, o Morais Soares telefonou-me e, durante cerca de uma hora, que passou célere, tivemos uma animada conversa, com alguns momentos de mútua emoção.

Tal como tinha planeado, e falámos disso algumas vezes durante a nossa comissão em Angola, o Morais Soares emigrou para o Canadá em 1968, onde, se a memória não me falha, já residia parte da família da esposa.

Durante todo este tempo, o único militar da nossa Companhia com quem contactou, foi o 1º cabo do 4º pelotão, Euclides Morais, que também emigrou para aquele país, e com quem se encontrou pela primeira vez, por acaso, em Toronto, onde reside (e onde supõe que o Euclides ainda resida, porque já não o vê há algum tempo).


Jogo de Andebol entre as equipas da CArt 738 e um misto de alunos do Colégio Infante de Sagres e da Escola Industrial e Comercial, da Gabela

O Morais Soares foi o árbitro e está ao centro, trajando calças e camisa.

Foi agradável reviver com ele alguns episódios que partilhámos naqueles dois longínquos anos, bem como constatar que a sua memória se mantem em grande forma. Quis saber o que era feito de todos os oficiais e sargentos da Companhia, mencionando os nomes da cada um, tendo identificado quase todos os que estiveram presentes no último almoço, apesar das nossas fisionomias não esconderem a erosão do tempo. Claro que só pude informá-lo acerca daqueles que, de uma forma ou de outra, vão dando sinais de vida.

Mas a melhor das suas revelações foi a firme intenção de estar presente no almoço do próximo ano, em que comemoraremos o 45º aniversário da nossa chegada a Lisboa.


P.S. - Pareceu-me importante dar a notícia do regresso do Morais Soares ao nosso convívio (por enquanto virtual) a todos os que de 1965 a 1967 com ele partilharam o dia-a-dia.

Por esse motivo, o texto que planeava publicar hoje, fica adiado para um dos próximos dias.


5 comentários:

  1. FORMIDAVEL. RECORDO COM PRAZER A CARA DE ALGUNS SARGENTOS AO QUAL EU PARTICIPEI PARA ESTAREM GORDINHOS. EU LEMBRO AOS SARGENTOS QUE EU ESTAVA NA MESSE NO LUCUNGA E NA GABELA. PASSARINHO, SOLDADO 1321/64

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  2. Amigo Passarinho,

    Todos nos lembramos de ti (bem como do Daniel) e do cuidado que tinhas para que o nosso estômago se mantivesse em forma.

    Aparece mais vezes.

    Um abraço do

    Carlos Fonseca

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  3. Olá Fonseca!

    Um viva pela chegada do Morais Soares. Dado o seu trato afável e normal boa disposição, penso que todos se lembram dele. Vamos folgar com a sua participação no próximo convívio.
    Gostei de ter notícias,embora parcas, do Euclides Morais. Era 1º Cabo do meu pelotão e da secção do Miranda Dias. Era um competente profissional da construção civil e, por isso, esteve intimamente ligado às obras de reconstrução de Lucunga e à construção do monumento da companhia e de um utilíssimo forno. Por esta actividade não militar era, por vezes, poupado a determinadas operações o que não era muito bem visto por alguns (poucos) camaradas. Era muito bom moço.

    Sebastião Fagundes

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  4. Caro Fagundes,

    Segundo o Morais Soares, a actividade profissional do Euclides Morais, em Toronto, continuava ligada à construção civil.

    Embora ainda um jovem naquela época, não há dúvidas sobre a competência que já revelava. Além do forno, e das obras de reconstrução, o monumento da Companhia, ficou lá para o comprovar.

    Já agora uma pergunta: o Morais não veio de Porto Amboim para trabalhar na construção da Casa do Soldado, na Gabela?

    Um abraço.

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  5. Fonseca!

    Com a triste notícia que me enviou por outra via, esqueci-me de responder à sua pergunta. O Morais foi, de facto, requisitado para trabalhar na Gabela. Se para essa ou outra obra não posso precisar.

    Sebastião Fagundes

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