Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Ramalho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ramalho. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mais fotografias angolanas



(Clique nas fotografias para aumentar)

Não tenho dados que me permitam informar se esta fotografia, tirada a bordo do Vera Cruz, foi feita na viagem de ida para Angola, ou se já vínhamos de regresso. Mas, pelo ar de maçaricos, quer do Augusto Fernandes – o nosso furriel-miliciano enfermeiro, e um verdadeiro anjo da guarda do nosso bem-estar – quer do furriel-miliciano de transmissões, Morais Soares, presumo que íamos a caminho de um mundo desconhecido.




Deste grupo, amesendado à espera do petisco, apenas reconheço três comensais, embora não me lembre do nome de um deles. Os outros dois não pertenciam à CArt 738 (nem provavelmente ao Bart 741).

Da esquerda para a direita podemos ver o 1º cabo-clarim José Alves, (?), o Morais Soares, (?) e (?).




Junto a um rio de caudal turbulento posam, aparentemente distraídos, o Morais Soares, o primeiro-sargento Joaquim Ramalho (o Maravilhas) e o furriel-miliciano vagomestre José Vaz.



Na varanda da moradia Flórida (onde tinham os seus luxuosos aposentos), relaxando das agruras da comissão de serviço, o Morais Soares sorri para a câmara, o 2º sargento Ruas, parece implorar o favor dos deuses (o rádio em cima da mesa faz-me suspeitar que devia ser domingo e estavam a ouvir um relato de futebol. Provavelmente o Sporting – salvo erro, o clube do Ruas – teria sofrido ou falhado um golo), o furriel-miliciano Abreu, de boina à “malandro” (talvez para impressionar alguma madrinha de guerra) faz um ar sério e compenetrado, enquanto o furriel-miliciano José Rodrigues (o mais experiente de todos, pois já ia na segunda comissão) olha de lado com ar desconfiado. Que estaria ele a ver?




Da esquerda para a direita: dois rostos de que me lembro bem, o que já não acontece com os nomes; a seguir, o Morais Soares, o José Vaz e o José Rodrigues; sentado no banco do Unimog, o Verdasca, com cara de poucos amigos, o que configura uma situação excepcional, porque ele era um tipo bem disposto, e de sorriso (quase) permanente.

P.S- . Estas fotografias foram-me enviadas pelo Morais Soares, a quem agradeço.




terça-feira, 1 de novembro de 2011

As Fotos do António Passarinho - II (ou o 1º sargento Ramalho)


Desde que escrevi em textos anteriores que o capitão Carvalho não perdia uma oportunidade de me “premiar” encarregando-me do cumprimento das tarefas extraordinárias, e quase nunca agradáveis, que iam surgindo, que tinha a intenção de trazer ao blogue o nosso 1º Ramalho, que julgo ter estado na origem das manifestações de “simpatia” do comandante da Companhia para comigo.

O 1º sargento Ramalho aparece duas vezes em duas das fotografias que o António Passarinho me mandou, cuja publicação iniciei no último post, o que me serve de pretexto para escrever sobre ele.

Em Outubro de 1965, vim de férias à Metrópole, como então era designado o Portugal europeu nos territórios ultramarinos. Duas ou três semanas antes da viagem, o 1º Ramalho perguntou-me se eu não me importava de trazer uma lembrança para a filha (pré-adolescente à época), que residia com a mãe algures no Alentejo, fazendo-a seguir por via postal a partir de Lisboa.


Em Lucunga, na messe de sargentos, com militares de outra Companhia (CCaç.715?)
Apenas identifico o 1º sargento Ramalho, à esquerda, em 2º plano, o 2º sargento Ruas, à cabeceira da mesa, o Passarinho, de pé, por trás do Ruas, o 2º sargento Ramiro, à esquerda do Ruas. Na mesa mais próxima do fotógrafo, o civil que olha para a objectiva é o comerciante Santos. Na mesa do fundo, do lado direito, a olhar para o lado, está o furriel-miliciano Azevedo.
(Identificações obtidas com a ajuda do alferes-miliciano Fagundes e do furriel-miliciano Morais Soares, a quem agradeço)

Respondi que não me importava, desde que a “lembrança” respeitasse duas condições: que não fosse muito volumosa, porque a minha mala de viagem era de tamanho médio, e eu próprio queria comprar lembranças em Luanda, além de trazer parte da roupa civil, que tinha levado e que não me fazia lá falta; e que não fosse muito pesada, porque só tinha direito a 20 kgs. de bagagem, no avião.

Poucos dias antes de eu viajar, e sem termos voltado a falar no assunto (eu até pensava que ele tinha desistido), mandou o 1º cabo escriturário, Ismael ao meu quarto, com a “lembrança”, que consistia num pacote com um tapete decorativo, que ocupava três quartos do espaço da mala.

Mandei o tapete de volta, com o recado de que a “lembrança” não correspondia às condições combinadas. Se o nosso 1º a quisesse substituir por outra de dimensões e peso mais razoáveis, tudo bem; se não, nada feito.

Nem o Ismael voltou, nem o 1º Ramalho voltou a falar na encomenda.


Em Lucunga, na messe 
A contar da esquerda, sentados: 1º sargento Ramalho, 2º sargento Ruas, 2º sargento Ferreira da Silva, furriel-milº Morais Soares e 2º sargento Ramiro; de pé: Passarinho e Daniel

Não falou, mas não se esqueceu. As nossas relações que nunca tinham sido propriamente amistosas, pioraram, embora sem atritos visíveis por terceiros.

De qualquer modo, durante o comando dos dois primeiros substitutos do Capitão Rubi Marques - o capitão Hélio Nunes Xavier, primeiro, e o tenente Simões da Silva, depois, com os quais tive um bom relacionamento - não tive motivos para supor que ele tivesse procurado influenciá-los negativamente em relação a mim.


Pouco depois da chegada do capitão Carvalho, apercebi-me de que o novo comandante estava de pé atrás no que me dizia respeito, sem que eu percebesse porquê.

Como todos os meus camaradas, eu tinha tarefas diárias no quartel, que cumpria, como sempre tinha feito. Além de fazer os serviços da escala (sargento de dia à unidade e sargento da guarda), dava, todos os dias úteis, aulas regimentais aos militares que não tinham completado a 4ª classe. Nos últimos dois meses tive o importante apoio do director da escola primária local, onde, com aproveitamento, acabariam por fazer exame.

Complementarmente, era monitor de desporto da Companhia, tarefa que não me absorvia muito tempo. No essencial, tinha de fazer um relatório mensal das actividades desportivas, que seguia para o Batalhão, onde julgo que ninguém o lia.

Não via, por isso, razão para a secura com que o novo comandante me falava. Até que um dos meus camaradas me disse que tomasse cuidado, porque o 1º Ramalho andava a “emprenhar o capitão pelos ouvidos”.

Nesse segundo ano de comissão, foram poucos os camaradas que vieram de férias à Metrópole. Alguns, para pouparem, não foram para parte nenhuma e ficaram na Gabela, continuando alojados no quartel, sem qualquer problema.

Também era normal a antecipação da apresentação, por conveniência de entrar numa determinada ordem (mais favorável) na escala de serviço.

Em 1 de Novembro de 1966, entrei de férias, tendo viajado para Luanda, onde fiquei 10 dias, findos os quais regressei à Gabela, onde cheguei na tarde do dia 11. O resto das férias seriam passadas em casa de familiares que residiam numa fazenda a 15 Kms. da cidade, mas nessa noite fiquei no quartel, dado o adiantado da hora.


Em Lucunga, na messe (Convívio com camaradas da CCaç 715)
Em primeiro plano, à esquerda, o furriel-milº Miranda Dias, a seguir (?), de camisa branca o furriel-milº Sousa, ao fundo, a meter algo na boca, o furriel-milº Mourão (?), furriel-milº Fonseca, furriel-milº Carvalho (CCaç 715), e mais perto da objectiva, o furriel-milº Vaz; ao fundo de pé, o Passarinho;

No dia seguinte, depois do pequeno almoço, o 1º Ramalho veio ter comigo dizendo-me que o comandante não me autorizava a ficar alojado no quartel, por estar de férias. Disse-lhe que não iria ficar, mas perguntei por que razão outros podiam e eu não. Respondeu que não sabia e que eram ordens do comandante.

Três dias antes do fim do mês, interrompi as férias, entrando de serviço no dia seguinte, o que me deixaria livre na passagem do ano. Fui ao render da guarda, entrei de sargento de dia, e qual não foi o meu espanto, quando, estando na secretaria a conversar com o Nunes da Silva, já perto do meio-dia, entra o 1º sargento, que me disse que tinha ido falar com o comandante, e que este decidira que eu não podia interromper as férias, pelo que também não podia estar de serviço. Todavia, fazia-me o favor de me deixar ficar a dormir no quartel.

Deu-me uma fúria, tirei a pistola do coldre, peguei-lhe pelo cano e, se não fosse o Nunes da Silva e o 1º cabo escriturário agarrarem-me, tinha-lhe dado uma coronhada na cabeça, tal era a minha raiva.

Acabei por abandonar o quartel, só voltei no fim da licença, e mais convencido fiquei da sua influência negativa (bem como da sua má consciência), quando constatei que do meu gesto impensado e grave não tinham resultado quaisquer consequências.

Depois de regressarmos, só encontrei o 1º Ramalho uma vez, em Lisboa, na Praça do Comércio. Estava colocado numa repartição do Ministério do Exército, e falou-me como se fôssemos amigos, sugerindo que, como eu trabalhava ali próximo, nos encontrássemos para almoçar. Deu-me, então, o seu contacto telefónico, que nunca utilizei.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O aniversário



Creio que no conjunto de oficiais e sargentos da Cart 738 fui o segundo a fazer anos – em Março - depois de chegarmos a Lucunga. Duas semanas antes tinha comemorado o seu aniversário o comandante de Companhia, mas, tanto quanto me lembro, a data passou despercebida, pelo menos para a maior parte do pessoal. Dois furriéis já tinham feito anos nesse ano de 1965: o Nunes da Silva, a 1 de Janeiro, estávamos a gozar os dez dias de férias antes do embarque e, a 12 ou a 13, também de Janeiro, já a bordo do “Vera Cruz”, foi a vez do José Rodrigues (salvo erro).

Era a primeira vez que festejava o meu aniversário longe da família, e resolvi assinalar os meus 23 anos com a “festa” possível, naquelas circunstâncias.

Razões de ordem financeira impediam-me de estender os “festejos” aos 163 militares da Companhia. Resolvi, por isso, oferecer um jantar na messe aos 22 oficiais e sargentos.


Clube da Damba

A ideia inicial era servir uma ementa tendo como prato principal leitão assado. Infelizmente, e apesar de ter iniciado as diligências necessárias com a devida antecedência, no Bembe, no Toto e no Vale do Loge, não consegui encontrar leitões disponíveis.

Já com o tempo a fugir, e depois de uma conversa com o furriel vagomestre Vaz, decidi-me pelos frangos, ou mesmo galinhas, de churrasco. Pensávamos nós que os nosso vizinhos da sanzala estariam dispostos a vender-me as aves necessárias. Engano nosso porque, usando as mais variadas desculpas, não se mostraram disponíveis para fazer negócio.

A ideia salvadora voltou a ser do Vaz que se lembrou da Damba para fazer um dos reabastecimentos semanais, em vez de ir ao Toto. Feita a sugestão ao capitão Rubi Marques, este concordou, e lá fomos.

Durante a viagem pensei que talvez na Damba conseguisse arranjar os leitões. Não consegui os leitões, mas acabei por comprar os galináceos para o churrasco, pelo que o jantar de anos ficou salvo.


Vila de 31 de Janeiro (chamada Nsosso, depois da independência)

Além disso descobri que na Damba havia um restaurante, propriedade da D. Madalena - uma simpática anfitriã -, onde se comia bem melhor do que no hotel do Toto.

Com grande pena minha só voltei à Damba duas vezes. De uma delas a viagem teve prolongamento até à vila de 31 de Janeiro (hoje chamada Nsosso), e teve um episódio que poderia ter tido um fim trágico.

Quando, passada a Damba, seguíamos a caminho daquela localidade, a GMC que fazia parte da coluna ficou sem travões no princípio de uma descida. Do lado direito da estrada havia uma ribanceira. Do lado esquerdo, uma encosta com uma barreira quase a pique e com uma pequena valeta entre a estrada e a barreira. Na iminência do desastre o condutor (de quem não recordo o nome) teve um sangue frio e uma perícia notáveis. Conseguiu reduzir um pouco a velocidade trabalhando com a caixa, e foi-se encostando à barreira tão lentamente quanto pode, conseguindo finalmente imobilizar a viatura sem danos pessoais. Foi um alívio.


O condutor que cito no texto é o 3º, na 1ª fila, a contar da direita (aqui, no almoço de 2010)
(Se alguém se lembrar do nome, agradeço que me informe)

A meio da tarde do dia do meu aniversário já a azáfama era grande na cozinha e, quer o Daniel Ferreira (a quem o 1º sargento Ramalho chamava “o Irmão” devido às suas convicções religiosas), quer o António Passarinho, aos quais devíamos a qualidade da confecção dos pratos servidos na messe, não tinham mão a medir.

Foi então, no meio daquele bulício, que caiu o balde de água fria. Um rádio do comando do Batalhão dava conhecimento de uma informação segundo a qual um grupo inimigo, que se dirigia para as suas bases no Zaire, atravessaria o rio Coji na nossa zona, onde utilizaria um dos seus dois ou três habituais locais de passagem (próximos uns dos outros) nas próximas horas, e era preciso montar com urgência uma emboscada para os interceptar. Na escala da Companhia o pelotão de prevenção, e que teria que avançar, era o meu.

Quando deu a ordem o capitão Rubi Marques comunicou que eu estava dispensado da operação. Na altura fiquei dividido. Por um lado, tinha o jantar de anos. Por outro, sentia-me desconfortável por ficar no bem-bom enquanto os meus camaradas e, sobretudo, o pessoal da minha secção, iam para o mato, com os riscos inerentes.


Rua principal da Damba

O capitão insistiu (normalmente não dava aso a reclamações quando tomava uma decisão, e detestava ser questionado) e eu fiquei.

O jantar acabou por correr bem. Comeu-se, bebeu-se, cantaram-se os “Parabéns a você”, mesmo sem bolo, recebi de prenda um roupão chinês que nunca usei, e houve até quem, horas depois, já não soubesse bem o caminho para o quarto, depois das Cucas e dos Constantinos ingeridos.

Quanto à emboscada, ou a informação transmitida por rádio era falsa, ou os “viajantes” tinham escolhido outro itinerário. O nosso pessoal regressou ao fim da tarde do dia seguinte, sem ver rasto deles.


Damba, nos anos sessenta

No jantar do dia 26 os ausentes da véspera comemoraram o meu aniversário comendo o churrasco (confeccionado na hora, não haja confusões) com um dia de atraso.

Involuntariamente, com a iniciativa do jantar acabei por criar um precedente. A partir daí, em Lucunga, o oficial ou sargento aniversariante passou a oferecer o jantar. É certo que uma minoria, embora não o confessasse, não gostou muito da despesa inesperada. Notou-se.

No ano seguinte, já na Gabela, os jantares de aniversário abertos à comunidade de graduados acabaram. Assumo que terei tido alguma responsabilidade nisso, já que, também lá, fui o primeiro a aniversariar. Não deixei de festejar, mas o grupo de convivas seleccionado foi mais reduzido.

domingo, 3 de abril de 2011

Novas de Toronto


Na varanda do "meu" quarto no Hotel Luso, no fim-de-semana que o pessoal do BArt 741 passou em Luanda (19 e 20 de Fevereiro de 1966) a caminho da Gabela

Da esq. para a dta.: Vaz, Fonseca, Azevedo e Morais Soares

Quando o meu telemóvel tocou no dia 25 de Março, depois do jantar, pensei que era mais uma chamada de parabéns pelo meu aniversário. Quando no visor apareceu o nome do Silva Pereira, fiquei surpreendido porque não via como podia ele ter conhecimento da efeméride.

Não tinha, de facto, mas nem por isso aquele telefonema deixou de constituir uma saborosa prenda, pois a surpresa que ele tinha para mim era muito boa. Comunicou-me que acabara de manter uma conversa telefónica com o Edgardo Morais Soares, que foi furriel-miliciano de transmissões na CArt 738, e de quem eu nada sabia desde que, há 44 anos, nos despedimos em Lisboa e ele regressou à ilha de S. Miguel, onde nasceu. Nem sabia eu, nem sabia nenhum dos outros antigos camaradas com quem contacto mais ou menos frequentemente.

O Morais Soares chegara até ao Silva Pereira através do blogue do Batalhão, que lhe serviu também de caminho para este blogue.


Na véspera do Natal, em 1966, durante a inauguração da "Casa do Soldado", construída pelos militares da CArt 738 no quartel da Sétima, na Gabela, com o patrocínio das senhoras do MNF da Gabela

Sentados da esq. para a dta.: Nunes da Silva, Vaz, Sousa, Fonseca, Ferreira da Silva, Ramalho  (também conhecido por "O Maravilhas") e um agente da PIDE, cujo nome não recordo.
De pé, pela mesma ordem: Azevedo e Morais Soares

Entretanto, e depois de uma troca de mensagens por correio electrónico, o Morais Soares telefonou-me e durante cerca de uma hora, que passou célere, tivemos uma animada conversa com alguns momentos de mútua emoção.

Tal como tinha planeado, e falámos disso algumas vezes durante a nossa comissão em Angola, o Morais Soares emigrou para o Canadá em 1968, onde, se a memória não me falha, já residia parte da família da esposa.

Durante todo este tempo o único militar da nossa Companhia com quem contactou foi o 1º cabo do 4º pelotão, Euclides Morais, que também emigrou para aquele país, e com quem se encontrou pela primeira vez, por acaso, em Toronto, onde reside (e onde supõe que o Euclides ainda resida, porque já não o vê há algum tempo).


Jogo de Andebol entre as equipas da CArt 738 e um misto de alunos do Colégio Infante de Sagres e da Escola Industrial e Comercial da Gabela

O Morais Soares foi o árbitro e está ao centro, trajando calças e camisa.

Foi agradável reviver com ele alguns episódios que partilhámos naqueles dois longínquos anos, bem como constatar que a sua memória se mantém em grande forma. Quis saber o que era feito de todos os oficiais e sargentos da Companhia, mencionando os nomes da cada um, tendo identificado quase todos os que estiveram presentes no último almoço, apesar das nossas fisionomias não esconderem a erosão do tempo. Claro que só pude informá-lo acerca daqueles que, de uma forma ou de outra, vão dando sinais de vida.

Mas a melhor das suas revelações foi a firme intenção de estar presente no almoço do próximo ano, em que comemoraremos o 45º aniversário da nossa chegada a Lisboa.


P.S. - Pareceu-me importante dar a notícia do regresso do Morais Soares ao nosso convívio (por enquanto virtual) a todos os que de 1965 a 1967 com ele partilharam o dia-a-dia.

Por esse motivo, o texto que planeava publicar hoje, fica adiado para um dos próximos dias.


domingo, 20 de março de 2011

Ainda as promoções



Na primeira história que publiquei neste blogue, descrevi o ritual da “investidura” nos novos postos dos militares da Cart 738, recém-promovidos.

Na altura tive pena de não ter qualquer fotografia que ilustrasse a ocasião. Sucede que, durante o convívio dos militares do BArt 741, em 12 do corrente, aquele tema veio à baila e o Sebastião Fagundes, que foi alferes-miliciano e comandante do 4º pelotão da minha Companhia – oficialmente o “pelotão de acompanhamento” -, disse-me que tinha uma fotografia do momento em que o então capitão Rubi Marques lhe colocava os galões nas platinas, prontificando-se a enviar-ma se eu estivesse interessado.

Claro que estava interessado, não só nessa, mas também em quaisquer outras que testemunhem essa época e contribuam para alargar o meu campo de escolha.

Nesta foto consigo identificar em primeiro plano e da esquerda para a direita, os furriéis-milicianos Vaz e Rodrigues e o primeiro-sargento Ramalho, com o rosto meio encoberto pelo capitão Rubi Marques.

Quanto aos restantes camaradas, recordo-me de quase todos mas os nomes “fugiram”. Apenas me lembro do “petit nom” de alguns. Mas talvez seja sensato não os colocar aqui, mesmo sabendo que muitos não se importam.

A propósito deixo-vos um episódio que considero delicioso, do último almoço.

Quando cheguei ao restaurante já lá estavam quase todos, e acabei por me sentar num dos poucos lugares disponíveis ao lado de um camarada de cujo nome não me recordava, embora me lembrasse perfeitamente da alcunha (nem por isso simpática, sobretudo no Norte de Portugal), por que era conhecido (e habitualmente chamado em Angola) sem qualquer azedume da sua parte.

Cumprimentei-o e, pedindo desculpa pelo esquecimento, perguntei-lhe pelo seu nome.

E quando eu estava à espera de um nome e apelido, ele saiu-se com a alcunha de antigamente.

Sorri, e não lhe disse que da alcunha me lembrava perfeitamente.

Finalizo deixando uma palavra de agradecimento ao Sebastião Fagundes pela sua disponibilidade.