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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mais fotografias angolanas



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Não tenho dados que me permitam informar se esta fotografia, tirada a bordo do Vera Cruz, foi feita na viagem de ida para Angola, ou se já vínhamos de regresso. Mas, pelo ar de maçaricos, quer do Augusto Fernandes – o nosso furriel-miliciano enfermeiro, e um verdadeiro anjo da guarda do nosso bem-estar – quer do furriel-miliciano de transmissões, Morais Soares, presumo que íamos a caminho de um mundo desconhecido.




Deste grupo, amesendado à espera do petisco, apenas reconheço três comensais, embora não me lembre do nome de um deles. Os outros dois não pertenciam à CArt 738 (nem provavelmente ao Bart 741).

Da esquerda para a direita podemos ver o 1º cabo-clarim José Alves, (?), o Morais Soares, (?) e (?).




Junto a um rio de caudal turbulento posam, aparentemente distraídos, o Morais Soares, o primeiro-sargento Joaquim Ramalho (o Maravilhas) e o furriel-miliciano vagomestre José Vaz.



Na varanda da moradia Flórida (onde tinham os seus luxuosos aposentos), relaxando das agruras da comissão de serviço, o Morais Soares sorri para a câmara, o 2º sargento Ruas, parece implorar o favor dos deuses (o rádio em cima da mesa faz-me suspeitar que devia ser domingo e estavam a ouvir um relato de futebol. Provavelmente o Sporting – salvo erro, o clube do Ruas – teria sofrido ou falhado um golo), o furriel-miliciano Abreu, de boina à “malandro” (talvez para impressionar alguma madrinha de guerra) faz um ar sério e compenetrado, enquanto o furriel-miliciano José Rodrigues (o mais experiente de todos, pois já ia na segunda comissão) olha de lado com ar desconfiado. Que estaria ele a ver?




Da esquerda para a direita: dois rostos de que me lembro bem, o que já não acontece com os nomes; a seguir, o Morais Soares, o José Vaz e o José Rodrigues; sentado no banco do Unimog, o Verdasca, com cara de poucos amigos, o que configura uma situação excepcional, porque ele era um tipo bem disposto, e de sorriso (quase) permanente.

P.S- . Estas fotografias foram-me enviadas pelo Morais Soares, a quem agradeço.




quarta-feira, 14 de março de 2012

BART 741 - Convívio em Fátima


O bolo comemorativo não podia faltar
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No sábado passado compareci ao convívio anual do Batalhão de Artilharia 741, que teve lugar em Fátima, tendo vivido um dia quase perfeito.

O “quase perfeito” foi, no que me diz respeito, ensombrado por algumas ausências da CArt 738. Nuns casos trata-se, infelizmente, de camaradas que partiram para a viagem que não tem regresso, e cuja memória permanecerá para sempre entre nós. Noutros, os motivos para as ausências radicaram em impedimentos vários, e, dentre todas, permito-me destacar a do Coronel Rubi Marques – que marcou todos quantos, em Lucunga, tiveram a honra de servir sob o seu comando - e que, convalescente de uma maleita recente, não deixará por certo de nos dar o prazer da sua presença no próximo convívio.

Parece-me extraordinário que, 45 anos depois de regressarmos de Angola, e num clima de crise nacional – real ou psicológica – ainda seja possível reunirmos cerca de 300 pessoas entre antigos camaradas e, nalguns casos, familiares próximos. Isto prova quão fortes foram 0s nós da amizade e do companheirismo que desenvolvemos em tempos particularmente difíceis.

Quero também salientar o enorme prazer que tive em reencontrar, tantos anos depois, o Morais Soares, furriel de transmissões, que, acompanhado da esposa, se deslocou expressamente do Canadá para estar presente neste dia especial.

Outros casos dignos de registo são os do antigo comandante do 2º pelotão, alferes Francisco Morgado, que há mais de 20 anos não comparecia nestes eventos, do Mário Abreu, furriel do 3º pelotão, que ultrapassou alguns obstáculos de ordem logística para estar presente, e ainda do meu companheiro de quarto em Lucunga, Nunes da Silva (que parece que, tanto tempo depois, já relevou a minha desarrumação permanente, que tanto perturbava a ordem que ele procurava manter), que há meia dúzia de anos tinha deixado de comparecer.

Por último, mas não menos importante, quero agradecer a impecável organização, a cargo do Silva Pereira, como vem sendo hábito.

P.S. - Publico a seguir algumas das fotos que fiz (com telemóvel) durante o convívio. Nos próximos dias publicarei mais algumas, incluindo um lote que me foi enviado pelo Carlos Cristóvão, da CCaç 715, que esteve na Missão do Bembe, e que tem sido presença habitual nos nossos encontros. 





Francisco Morgado, Sebastião Fagundes e Vítor Casimiro



Um aspecto parcial da sala de jantar



Mário Abreu, Morais Soares, esposa do Morais Soares e, meio encoberto, o Nunes da Silva


Outro aspecto da sala, meio vazia (tempo de conversa enquanto não chegava a hora do lanche)


Sentados os comandantes de pelotão da CArt 738 (Morgado, Fagundes, Casimiro e Pereira); de pé, o Carlos Cristóvão da CCaç. 715


Ao centro, em mangas de camisa, o Silva Pereira (o único de nós que passou o dia a trabalhar)


Na hora de partir e distribuir o bolo
Silva Pereira (encoberto), José Pereira, Morais Soares e Mário Abreu 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

BART 741 - Convívio em Fátima



Assinalando o 45º aniversário do regresso de Angola, terá lugar em Fátima, na Casa São Nuno, em 10 de Março, próximo, o 26º convívio do Batalhão de Artilharia 741.

O Silva Pereira, a cujo espírito solidário e perseverante devemos a regularidade com que nos temos reencontrado ao longo dos últimos 20 anos, já deve ter enviado a “convocatória” a todos os possíveis interessados.

Não estive presente nos primeiros convívios, que tiveram início em 1987, em Santarém, organizados então pelo Vítor Verdasca – um camarada sempre alegre e bem disposto, que a morte levou prematuramente – e pelo Carlos Bragança, porque o convite que me enviaram não me foi entregue, por estar desactualizada a morada.

Acabei por tomar conhecimento da realização dos encontros, por um daqueles acasos felizes, que nos alegram a vida de vez em quando.

Num fim de tarde de Maio (ou Junho?) de 1988, depois de uma visita à Feira Internacional de Lisboa, dirigia-me para o meu carro, quando, de dentro de um táxi parado na fila a aguardar clientes, ouvi o motorista a gritar repetidamente “Ó vaidoso! Ó vaidoso!”



O João Espanhol é o último da 2ª fila, a contar da esq.

Ao mesmo tempo que a minha mulher me dizia “aquele taxista está a gritar para ti!”, reconheci o João Espanhol, um dos membros da excelente equipa de enfermagem que tivemos a sorte de ter na CArt 738, e que nunca mais tinha encontrado desde o nosso regresso.

Dirigi-me a ele, sorrindo, e perguntado qual a razão para o “vaidoso”, respondeu-me, com aquele sorriso gaiato e amalandrado que nunca perdeu, que eu era vaidoso porque não ia aos convívios do Batalhão.

Esclareci-o que desconhecia a realização desses almoços, desconhecimento que lamentava, e ficou combinado que ele me avisaria quando fosse marcado o do ano seguinte, o que fez.

Foi assim que a partir de 1989 estive presente na maioria dos encontros, cuja organização, poucos anos depois, passou a estar a cargo do Silva Pereira, que prestou serviço como alferes-miliciano na CArt 739. (As suas experiências durante os meses da comissão em Angola podem, com proveito, ser lidas aqui).



Da esq. para a dta.: Magalhães (que costuma vir acompanhado de um vinho verde especial, pois não bebe qualquer zurrapa), Alves (um clarim fora de série) e o furriel-miliciano enfermeiro Fernandes (estreante nestes convívios), nas Caldas da Rainha, em 2010

Entretanto, a “velha ceifeira” pregou-nos uma partida e, egoísta, levou, demasiado cedo, o João Espanhol do nosso convívio. Quem o conheceu, sabe que o seu entusiasmo e optimismo (e às vezes um descaramento bom e são) nos fazem muita falta.

Este ano lá estarei de novo (salvo qualquer circunstância imprevista) e, mais uma vez, o tempo será curto para pôr a conversa em dia. Mas uma coisa é certa: vai ser, como sempre, um sábado muito especial.

P.S. - Um aviso à navegação: este ano vamos ter a companhia do “patrão” das transmissões da CArt 738, Morais Soares, que se deslocará do Canadá, especialmente para reencontrar velhos camaradas.

Também o Mário Abreu, furriel-miliciano do 3º pelotão, prometeu estar presente, se conseguir resolver alguns problemas logísticos.

E quem sabe se não haverá outras surpresas...


domingo, 6 de novembro de 2011

Euclides Morais



O Morais Soares enviou-me recentemente quatro fotografias, cuja publicação inicio hoje, com a foto do Euclides Morais, que foi primeiro-cabo no 4º pelotão da CArt 738.

No texto que intitulei “Novas de Toronto” escrevi que ele tinha emigrado para o Canadá, onde o Morais Soares o tinha encontrado algumas vezes, embora não soubesse dele há muito tempo.

Entretanto, o Morais Soares contactou uma irmã do Euclides que o informou que este morrera há alguns anos, ao mesmo tempo que prometeu enviar-lhe uma fotografia do tempo em que esteve em Angola. É essa foto que encima este post.

Apesar da sua juventude, o Euclides Morais já era, na época em que prestou serviço militar, um profissional da construção civil de reconhecido mérito. Essas qualidades foram realçadas num comentário que o Sebastião Fagundes, que foi seu comandante de pelotão, fez ao texto acima referido:

Um viva pela chegada do Morais Soares. Dado o seu trato afável e normal boa disposição, penso que todos se lembram dele. Vamos folgar com a sua participação no próximo convívio.

Gostei de ter notícias,embora parcas, do Euclides Morais. Era 1º Cabo do meu pelotão e da secção do Miranda Dias. Era um competente profissional da construção civil e, por isso, esteve intimamente ligado às obras de reconstrução de Lucunga e à construção do monumento da companhia e de um utilíssimo forno. Por esta actividade não militar era, por vezes, poupado a determinadas operações o que não era muito bem visto por alguns (poucos) camaradas. Era muito bom moço.”


Além da importância do seu trabalho na melhoria das nossas condições de alojamento em Lucunga, referida pelo Sebastião Fagundes, a sua intervenção foi igualmente determinante na construção da “Casa do Soldado”, na Gabela.

Embora o 4º pelotão estivesse aquartelado em Porto Amboim, o Euclides Morais foi requisitado pelo comandante de Companhia e, durante o tempo que duraram as obras, permaneceu na Gabela.

Com este texto, porventura modesto para os seus méritos, quero prestar a minha homenagem ao Euclides.

sábado, 9 de julho de 2011

Gabela - Olh'ó Passarinho!

(Clique na imagem para aumentar)


1-(?); 2-Albino Marinho; 3-(?); 4-(?); 5-Manuel Magalhães; 6 a 11 (?); 12-Pedro; 13 a 16 (?); 17 Tarcísio Alves?; 18 e 19 (?); 20-Manuel Morgado; 21-Morais Soares; 22-Hilário Grilo; 23-Custódio; 24-João Silva; 25-Brandão Pacheco; 26 a 28(?); 29-António Passarinho; 30-Manuel Morais; 31-João Redondo; 32 e 33 (?); 34-Manuel Rato; 35 e 35-A (?);  36-José Alves; 37 (?); 38 - António Luzia; 39-Nunes da Silva; 40-Carlos Fonseca; 41 e 42 (?); 43-Armindo Boleto; 44-José Bastos; 45-Augusto C. Fernandes; 46-António Gomes; 47 (?); 48-António Sousa; 49-Manuel Dias; 50-Ferreira da Silva; 51-José Claudino; 52-Joaquim Ramalho; 53-Ivo Resende; 54-Leonídio Torcato;  55-José Oliveira; 56-João Magro; 57-Simões da Silva; 58-(?); 59-José Rodrigues; 60-(?); 61-Francisco Morgado; 62(?); 63-Manuel Lopes; 64-António Azevedo; 65 e 66(?); 67-Manuel Ferreira; 68(?); 69-Casimiro Cerqueira; 70-José Pereira; 71-(?); 72-Francisco Tavares; 73(?); 74-Pereira




A foto que encima este texto foi-me enviada pelo Morais Soares, e foi tirada no quartel da Gabela, em frente ao edifício do comando. Nela estão fotografados 75 militares da Cart 738, que constituiam um pouco menos de metade dos efectivos da Companhia.

Não sei a data exacta em que teve lugar a sessão fotográfica, mas presumo que tenha sido entre Março e Julho de 1966, visto que na fotografia também figura o então tenente Simões da Silva (57) (que já nos deixou, vítima de cancro), que foi nosso comandante de Companhia durante aquele período, mais semana, menos semana.


A razão para apenas figurarem na foto 75 elementos, sendo certo que o efectivo da Cart 738 era de 163 militares, radica no facto de apenas estarem aquartelados na Gabela dois pelotões, bem como os indispensáveis serviços de apoio (cozinheiros, operadores de transmissões, condutores-auto, enfermeiros, etc.). O 4º pelotão estava instalado em Porto Amboim desde o início da mudança para o Quanza-Sul, em Fevereiro, e o 3º pelotão, ou estava em Vila Nova de Seles – que hoje se chama Uku Seles – , para onde foi deslocado algum tempo depois de chegarmos à Gabela, ou já tinha seguido para o Calulo, onde foi substituir CArt 739, entretanto transferida daquela localidade para o Leste de Angola. Ainda assim faltam alguns dos camaradas que permaneciam na Gabela, ou porque estavam a desempenhar tarefas inadiáveis (serviço de guarda, por exemplo), ou por estarem de férias (o que seria, provavelmente, o caso dos furriéis Vaz e Mourão, que embora pertencessem à Gabela, não estão na fotografia).

Nenhum dos rostos dos camaradas fotografados me é estranho, mas não consigo juntar o nome ao rosto de todos. Solicito, por isso, aos poucos camaradas que visitam o blogue (a maior dos que o visitam não fizeram parte do Bart 741), que me ajudem a completar a legenda, enviando o nome dos que identificarem - ou corrigindo algum que esteja trocado -  para o endereço cart738@gmail.com.

Estou a lembrar-me, entre outros, do Mário Abreu, que, embora “escondido", figura como seguidor do blogue e com quem tentei contactar telefonicamente para o nº que me deu quando nos encontrámos no almoço do Batalhão que se realizou na Barragem da Aguieira, mas sem êxito.

E, se algum dos leitores tiver (e quiser) enviar fotos desse tempo para publicação – à semelhança do que já fizeram o Sebastião Fagundes, o Morais Soares e o Jorge Isidoro, este último furriel-miliciano da Companhia que nos rendeu na Gabela –, ficarei grato.


domingo, 29 de maio de 2011

Na Varanda da Flórida



Da esquerda para a direita:
Em primeiro plano, meio desfocados: Morais Soares e Mourão (atrás do Mourão, um camarada da CCaç 715, que não consigo identificar);
Sentados: Carvalho (CCaç 715), Torres (CCaç 715), Rodrigues e outro camarada da Ccaç 715), cujo nome “fugiu”;
De pé: Ramiro e Fonseca
Na janela: Miranda Dias e Babo



Embora esta seja uma das “minhas” fotografias mais desastradas (parece que estou ausente ou a dormir), gosto particularmente dela.

Foi tirada na espaçosa varanda da Flórida, onde estavam alojados alguns furriéis. As cadeiras eram feitas com madeira de barris de vinho, que depois de vazios eram reaproveitados.

A imagem tem a particularidade de retratar alguns dos meus camaradas com quem tive, ou ainda tenho, especiais laços de amizade.

A começar pelo Torres que - soube-o recentemente -, faleceu já há alguns anos.

Foi meu colega de turma, no Liceu D. João III, além de ter sido meu companheiro de viagem habitual no comboio que todos os dias nos transportava das localidades onde residíamos, para Coimbra.

Reencontrámo-nos em Agosto de 1963, no quartel de Tavira, onde frequentámos o Curso de Sargentos Milicianos.

Conheci o Miranda Dias, cuja memória evoquei aqui, aos 16 anos, quando disputámos o Campeonato de Andebol de Lisboa, em Juniores, em representação de clubes diferentes. Mas só viriamos a criar laços de amizade quando nos reencontrámos no RAL 1, na formação do Batalhão.

O Carvalho foi outro camarada que conheci em Tavira, e com quem fiz amizade. Tinha uma acentuada pronúncia “à Porto”. Com ele aprendi um termo novo da nossa Língua, quando ele, na caserna, me perguntou se eu não tinha um “aloquete” a mais. Sabia lá eu que um aloquete era aquilo que eu conhecia como cadeado! Mas fiquei a saber.

O Babo, também já nos deixou (por cruel coincidência vítima de uma doença degenerativa, tal como aconteceu com o Miranda Dias, seu amigo e camarada do 4º pelotão), e espero homenageá-lo num dos próximos posts.

Continuo a manter contactos regulares com o Ramiro, que costuma estar presente nos nossos convívios.

Do Morais Soares dei conta neste texto, e espero que cumpra o prometido e apareça no próximo ano.

O José Rodrigues, que ficou em Angola - onde casou com uma moça da Gabela, para onde fomos depois de Lucunga -, regressou mais tarde a Portugal, e foi bancário em Vila Nova de Gaia, onde residia. Veio pelo menos a um dos almoços na Ponte de Asseca. Entretanto, o seu número de telefone foi alterado e perdi o contacto.

O Mourão afastou-se depois do regresso. Encontrei-o ocasionalmente três vezes, alguns anos depois do nosso regresso, mas embora tivesse conversado de forma cordial, nunca mostrou vontade de frequentar os nossos convívios.

A foto foi tirada por altura de um jogo de futebol, em Lucunga.




domingo, 15 de maio de 2011

Inauguração da Casa do Soldado




Nesta fotografia, que foi tirada na véspera do Natal de 1966, no quartel da Gabela, durante a inauguração da Casa do Soldado, podemos ver, da esquerda para a direita, o alferes Morgado, os furriéis Morais Soares, Azevedo, Fonseca e o 2º-sargento Rodrigues. Julgo que o cachorro é um dos filhotes da "Tosca" (que adoptámos quando chegámos à Gabela, e que morreu de parto) e do "Lucunga" (o pastor-alemão do alferes Morgado).

Já me tinha referido anteriormente a esta inauguração na legenda de outra fotografia da mesma data (mas tirada mais tarde, depois de terminado o serviço diário, o que justifica o traje diferente) no post "Novas de Toronto". Entretanto, o Morais Soares enviou-me esta foto que eu não possuia (nem me recordava dela), embora seja um dos fotografados.

Todos os materiais utilizados na construção, bem como o mobiliário e o primeiro fornecimento de bebidas (para as quais quase não foi suficiente o espaço para armazenagem existente), foram fornecidos pelas senhoras do Movimento Nacional Feminino da Gabela, que durante alguns meses dinamizaram uma campanha de angariação de fundos, quer junto das empresas da região, quer junto dos proprietários de fazendas de café.



P.S. - Ausente da minha residência habitual durante as próximas duas semanas (pelo menos), limitações de ordem logística “obrigam-me” a aligeirar as intervenções bloguísticas, que durante esse período terão uma configuração semelhante a esta, isto é, uma fotografia e um pequeno texto explicativo.

domingo, 3 de abril de 2011

Novas de Toronto


Na varanda do "meu" quarto no Hotel Luso, no fim-de-semana que o pessoal do BArt 741 passou em Luanda (19 e 20 de Fevereiro de 1966) a caminho da Gabela

Da esq. para a dta.: Vaz, Fonseca, Azevedo e Morais Soares

Quando o meu telemóvel tocou no dia 25 de Março, depois do jantar, pensei que era mais uma chamada de parabéns pelo meu aniversário. Quando no visor apareceu o nome do Silva Pereira, fiquei surpreendido porque não via como podia ele ter conhecimento da efeméride.

Não tinha, de facto, mas nem por isso aquele telefonema deixou de constituir uma saborosa prenda, pois a surpresa que ele tinha para mim era muito boa. Comunicou-me que acabara de manter uma conversa telefónica com o Edgardo Morais Soares, que foi furriel-miliciano de transmissões na CArt 738, e de quem eu nada sabia desde que, há 44 anos, nos despedimos em Lisboa e ele regressou à ilha de S. Miguel, onde nasceu. Nem sabia eu, nem sabia nenhum dos outros antigos camaradas com quem contacto mais ou menos frequentemente.

O Morais Soares chegara até ao Silva Pereira através do blogue do Batalhão, que lhe serviu também de caminho para este blogue.


Na véspera do Natal, em 1966, durante a inauguração da "Casa do Soldado", construída pelos militares da CArt 738 no quartel da Sétima, na Gabela, com o patrocínio das senhoras do MNF da Gabela

Sentados da esq. para a dta.: Nunes da Silva, Vaz, Sousa, Fonseca, Ferreira da Silva, Ramalho  (também conhecido por "O Maravilhas") e um agente da PIDE, cujo nome não recordo.
De pé, pela mesma ordem: Azevedo e Morais Soares

Entretanto, e depois de uma troca de mensagens por correio electrónico, o Morais Soares telefonou-me e durante cerca de uma hora, que passou célere, tivemos uma animada conversa com alguns momentos de mútua emoção.

Tal como tinha planeado, e falámos disso algumas vezes durante a nossa comissão em Angola, o Morais Soares emigrou para o Canadá em 1968, onde, se a memória não me falha, já residia parte da família da esposa.

Durante todo este tempo o único militar da nossa Companhia com quem contactou foi o 1º cabo do 4º pelotão, Euclides Morais, que também emigrou para aquele país, e com quem se encontrou pela primeira vez, por acaso, em Toronto, onde reside (e onde supõe que o Euclides ainda resida, porque já não o vê há algum tempo).


Jogo de Andebol entre as equipas da CArt 738 e um misto de alunos do Colégio Infante de Sagres e da Escola Industrial e Comercial da Gabela

O Morais Soares foi o árbitro e está ao centro, trajando calças e camisa.

Foi agradável reviver com ele alguns episódios que partilhámos naqueles dois longínquos anos, bem como constatar que a sua memória se mantém em grande forma. Quis saber o que era feito de todos os oficiais e sargentos da Companhia, mencionando os nomes da cada um, tendo identificado quase todos os que estiveram presentes no último almoço, apesar das nossas fisionomias não esconderem a erosão do tempo. Claro que só pude informá-lo acerca daqueles que, de uma forma ou de outra, vão dando sinais de vida.

Mas a melhor das suas revelações foi a firme intenção de estar presente no almoço do próximo ano, em que comemoraremos o 45º aniversário da nossa chegada a Lisboa.


P.S. - Pareceu-me importante dar a notícia do regresso do Morais Soares ao nosso convívio (por enquanto virtual) a todos os que de 1965 a 1967 com ele partilharam o dia-a-dia.

Por esse motivo, o texto que planeava publicar hoje, fica adiado para um dos próximos dias.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Futebol em Lucunga




Oficiais e sargentos (incluindo dois suplentes, por causa da falta de ar)

Da esq. para a dta., em baixo: Azevedo, Fernandes, Ruas, Ramiro, Miranda Dias e Casimiro
De pé: Fonseca, Vaz, Morais Soares, Mourão, Pereira, Nunes da Silva e Fagundes

O futebol era, a par dos jogos de cartas, uma das formas mais usuais de ocupação dos tempos livres dos militares da CArt 738.

Exceptuando as ocasiões em que se realizavam operações conjuntas com outras unidades, quando era necessária a utilização de helicópteros que se serviam do campo de futebol como pista de aterragem e de estacionamento (para os pequenos aviões Dornier 27, tínhamos a pista de terra batida), todas as tardes realizávamos renhidos jogos de futebol.

No quartel e salvaguardando os serviços que implicavam um horário alargado (desde logo o serviço de guarda nas “torres” de vigia, a preparação das refeições e, eventualmente, os cuidados de saúde), as várias tarefas diárias tinham lugar entre as oito horas e as dezasseis e trinta, com intervalo para almoço e repouso das doze às quinze horas. (O intervalo para o almoço pode parecer demasiado longo, mas importa considerar que era também a hora em que a temperatura atingia o seu pico, e o capitão Rubi Marques achava que uma sesta depois da refeição ajudava a recuperar energias, no que estávamos todos de acordo. Pudera, não havíamos de estar!)


Oficiais e sargentos*

Da esq. para a dta., em baixo: Pereira, Azevedo, Ruas, Morais Soares e Rubi Marques
Em cima: Miranda Dias, Fonseca (com um fato de treino vermelho berrante, emprestado pelo benfiquista Fagundes), Mourão, Fernandes, Vaz e Fagundes

Das dezasseis e trinta até à cerimónia do arriar da bandeira que tinha lugar às dezoito horas, jogava-se futebol.

Estando quase sempre um pelotão(pelo menos) na mata em operações e dado que nem toda a gente tinha jeito ou gostava de jogar, tornava-se por vezes difícil juntar vinte e dois jogadores com habilidade. Era preciso, então, recrutar aqueles a quem o alferes Pereira chamava os “três pés”, porque, parecendo que tinham pés a menos para jogar a bola, aparecia sempre um pé a mais para dar nas canelas do “adversário”. Por causa de um desses “três pés” sofri uma fractura num osso do braço direito. Em consequência disso estive em tratamento no Hospital Militar de Luanda durante algumas semanas.

Além destas jogatanas, disputávamos de vez em quando jogos em que uma equipa de praças defrontava outra de oficiais e sargentos. Ganhava sempre a equipa de praças, embora a outra equipa desse muita luta.


Jogo com a CCaç 715, da Missão do Bembe (a nossa equipa jogou de tronco nu, porque as nossas camisolas eram da mesma cor das da Missão, embora um pouco mais escuras)

Da esq. para a dta.: Pereira (ou Fagundes?), Mourão, jogador da CCaç 715 (?)**, Fonseca (a defender um canto), encoberto outro jogador da CCaç715 (?), Miranda Dias, Vaz e Casimiro


Também houve um torneio em que os quatro pelotões jogaram entre si. Claro que foi uma disputa muito desigual porque o primeiro pelotão (por coincidência o meu) tinha uma equipa de estrelas que não dava qualquer hipótese aos outros.

Além destes jogos domésticos, também recebemos e visitámos os camaradas das Companhias 715, da Missão do Bembe, e 739, do Toto. Nestes casos, eram encontros de desporto e confraternização que, habitualmente, incluíam outras modalidades, como o Andebol, o Voleibol e o indispensável almoço.

Sobre o Andebol, e a sua introdução nos nossos tempos livres, tenciono escrever lá mais para a frente.

Na época das chuvas era frequente termos de terminar o jogo inopinadamente devido a um curioso fenómeno meteorológico. De repente, na tarde calma e quente, levantava-se uma forte ventania, seguida quase de imediato por chuva tão forte que parecia que o céu tinha aberto as comportas. Em pouco tempo formava-se um caudal que transformava a rua num rio. Pouco depois cessava o “dilúvio”, voltava o sol, e o calor secava tudo tão rapidamente que nem parecia ter chovido.



1º Pelotão

Da esq. para a dta., em baixo: (António Gomes), Grilo, Pereira, Resende, Brandão e (Cerqueira?)
De pé: Fonseca, Redondo, Oliveira,(?),  Azevedo, Dias, e Teles (?)

Mal dávamos pela aparição do vento corríamos a toda a velocidade para a casa mais próxima, mas quem estivesse na zona mais afastada do campo ficava encharcado. Não era que tivesse muita importância, porque, afinal de contas, íamos tomar duche a seguir.

De uma das vezes que entrámos na “casa-refúgio”, que era também o alojamento de alguns militares, alguém deu um berro porque acabava de encontrar uma cobra surucucu enrolada no pé de uma das camas de ferro. Não houve qualquer problema, a não ser para a pobre cobra, que estava no lugar errado, à hora errada, e terminou, assim, os seus dias de forma inglória.

 Surucucu



* Esta parece ser a equipa que defrontou a CCaç 715, o que é estranho, porque inclui apenas oficiais e sargentos, não sendo a nossa melhor equipa. Da melhor equipa faziam parte, entre outros, o Oliveira - talvez o nosso melhor futebolista -, o Resende, o Brandão, o Dias e o Cristóvão.





terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Reabastecimento


Toto - Vista a partir da igreja


Duas vezes por semana saía uma coluna de Lucunga para o Toto, onde, além da entrega e recepção do correio, se fazia igualmente o reabastecimento de géneros. A viagem prolongava-se quase sempre até ao Vale do Loge onde estava instalado o comando do Batalhão, não só para entregar e receber documentação variada, mas também para que o vagomestre, furriel-miliciano Vaz, adquirisse produtos frescos, incluindo carne de vaca abatida na hora.

Fiz várias vezes este percurso, quer como responsável pela segurança da coluna, quer, estando de folga, como "turista". Nesta última qualidade aproveitava para rever e conversar com os camaradas da CArt 739, no Toto, da CCS, no Vale do Loge e da CCaç. 715 na Missão do Bembe.

Outro motivo para a viagem era petiscar um almoço com uma ementa melhorada no restaurante do "Hotel" do Toto, propriedade de um cidadão que, curiosamente, se chamava Cid Adão, e de quem se dizia, entre outras coisas, que era dono de tudo o que tinha valor naquela localidade. 


Vale do Loge (Foto anterior a 1960)

A este respeito contava-se até uma  anedota que não andava longe da realidade. 

Certa ocasião o sr. Adão teria encontrado um amigo em Luanda acompanhado por pessoas que ele não conhecia, e foi-lhes apresentado como sendo "o sr. Adão, do Toto", ao que ele teria respondido "não, não, o Adão não é do Toto, o Toto é que é do Adão!"

Como dizia o outro: "Pode não ser verdade, mas é bem achado".

Enquanto responsável pela segurança da coluna, a viagem era sempre feita sob alguma tensão, atento ao que nos rodeava durante todo o percurso. Tinha especiais cuidados na abordagem a uma certa curva, em forma de bico de pato, que me parecia propícia a uma golpe do inimigo que, se bem preparado, nos causaria sérios danos. Se eu estivesse do outro lado, e tivesse poder de decisão, aquele seria, sem sombra de dúvida, um dos locais escolhidos para montar uma emboscada.  Felizmente nunca tivemos problemas nesse percurso.

Recentemente, ao fazer uma pesquisa, li num blogue, de cujo endereço não tomei nota, que em 1969 uma coluna que se dirigia de Lucunga para o Loge sofreu naquele local uma emboscada de que resultaram onze mortos, além de vários feridos, entre as nossas tropas.

Quando viajava como "passageiro", sem o peso da responsabilidade pela segurança dos outros, ia completamente descontraído, o que não significava o mesmo que ir distraído. 


Rua do Bembe

À terça-feira, um comerciante do Bembe recebia por avião, via Toto, uma remessa de camarões deliciosos, dos grandes, cozinhados com gindungo, como era uso em Angola. No regresso trazia sempre umas quantas doses desses camarões, que iriam servir de petisco, acompanhados com vinho verde, envasilhado em grandes garrafões com "carapaça" de gesso que, entretanto, o Vaz - que além de fazer sempre a viagem como responsável pelo reabastecimento, fazia também parte do grupo dos petiscos - tinha deixado a refrescar.



Do "grupo do camarão" faziam parte habitualmente, o Vaz, o Mourão, o Miranda Dias, o Almeida, o Morais Soares e eu próprio, a que eventualmente se juntava um ou outro. Deste grupo, só eu e o Miranda Dias aproveitávamos as cabeças do camarão. Os outros, que não gostavam das cabeças, iam "devorando" a maior parte dos bichos, o que significava que nós, entretidos com as cabeças, acabávamos por comer menos. Então, a partir de certa altura resolvemos trazer mais um prato onde colocávamos as cabeças, que deixávamos para comer no fim, enquanto íamos acompanhando o ritmo dos parceiros. Desta forma, quando os outros acabavam o petisco, nós continuávamos a comer as cabeças, que tínhamos separado  com um generoso pedaço do corpo agarrado.

E não é que eles nunca deram pela marosca!