SPM 8146 era o endereço postal da Companhia de Artilharia 738 (CArt 738). Esta unidade embarcou para Angola integrada no Batalhão de Artilharia 741, em 9 de Janeiro de 1965. Chegou a Luanda em 18 do mesmo mês e a Lucunga no dia 25, onde ficou até 18 de Fevereiro de 1966. Foi depois transferida para a Gabela onde ficou de Fevereiro de 1966, até Fevereiro de 1967, tendo embarcado de regresso a Lisboa em 28 de Fevereiro de 1967. Chegaria ao Cais da Rocha Conde d'Óbidos a 9 de Março.
Com
a publicação destas fotografias, dou por terminada a minha
“reportagem fotográfica” de mais um encontro dos antigos
militares do Batalhão de Artilharia 741.
Porém,
se algum dos presentes na confraternização da Quinta dos Loridos me
enviar fotos, terei todo o gosto em colocá-las neste espaço.
(Clicar nas fotos para aumentar)
Uma mesa onde pontificava o Catuna
Vista geral da sala
O coronel Rubi Marques à conversa com dois camaradas da CArt 738
De frente para a câmara, um grupo de camaradas da CArt 738, que nunca falha os nossos encontros
Mais um grupo da CArt 738
O Casimiro, a falar com o Amaro, o Fagundes (atento à conversa), o Duarte e a esposa
O casal Passarinho com a esposa do Duarte
A mesa do Silva Pereira, ao centro, de frente para a câmara
O Carlos Cristóvão, da CCaç 715 (Missão do Bembe), que
costuma comparecer nos nossos encontros, não nos deu este ano esse prazer. Em consequência, não só nos privou das
suas interessantes histórias, mas também das fotos que costumava
enviar-me para colocar aqui. Não tendo outras colaborações, a
“reportagem” vai, desta vez, ressentir-se da sua ausência.
Mas,
para não perderem tudo, fica uma nota quase cómica, relembrada pelo
nosso cabo-mecânico, a quem devemos o milagre de pôr em
funcionamento as decrépitas viaturas que encontrámos em Lucunga
quando chegámos, situação que já referi aqui.
Quando, pouco depois de chegarmos, o “Zé da Pipa” (não sei a origem do “nickname”, mas sei que
a “pipa” não tinha a ver com excesso de bebida) foi mudar um dos
jipes de lugar, pô-lo a trabalhar, mas quando quis meter a primeira
velocidade, está quieto! Aquilo nem entrava, nem saía.
Saltou
do volante, foi espreitar e, para seu grande espanto, viu que no lugar do
veio de transmissão estava um pau.
No
sábado rimos um bocado da habilidade dos camaradas que fomos render, mas nesse longínquo Janeiro
de 1965, não houve risos. Era menos uma viatura operacional. Mas acabou por não
se perder tudo: aproveitaram-se algumas peças.
Um grupo da CArt 738, com o Torcato a contar mais uma história
Esta mesa estava desfalcada no momento da foto. À esquerda o Duarte, depois o Passarinho, com a esposa à sua direita.
Outra mesa com camaradas da CArt 738
O reencontro entre o Sebastião Fagundes, comandante do 4º pelotão, e o coronel Rubi Marques. À espera, de vez, o Duarte
Um aspecto parcial da sala
Nesta mesa - que está na "zona" do pessoal da CArt 739 (à esquerda Silva Pereira, que é a alma destes encontros) - está um infiltrado da 738: à direita, com a mão no peito, o Augusto Fernandes
O
almoço de confraternização que teve lugar no último sábado, na
Quinta dos Loridos (Carvalhal), constituiu mais um êxito (*) que
ficamos a dever ao nosso camarada Silva Pereira.
Entre
velhos companheiros de armas e seus familiares, foram cerca de duzentos
e cinquenta os que conviveram animadamente durante algumas horas (que
nestes dias parecem ter bem menos do que os 60 minutos da praxe. Ao contrário
do que nos acontecia no mato, sobretudo quando fazíamos emboscadas,
altura em que os ponteiros dos relógios pareciam imobilizados).
Entre
o reviver de velhos episódios nunca suficientemente recordados, há
sempre, por incrível que pareça, tantos anos depois, uma história
de que um ou outro já não se recorda. Ou mesmo acontecimentos em
que, não tendo sido intervenientes, ou testemunhas, desconheciam de
todo, como aconteceu comigo. Fiquei sentado ao lado do Casimiro,
comandante do 3º pelotão, que esteve colocado em Vila Nova de Seles,
e mais tarde no Calulo, e que contou episódios de vária índole,
alguns deles verdadeiramente hilariantes, que eu desconhecia por
completo.
Houve
ainda tempo para visitar o Buddha Eden Garden – Jardim da Paz. No
meu caso foi uma visita rápida, por falta de tempo, já que, dada a
extensão do Jardim, uma visita mais demorada ficará para uma próxima
ocasião.
Para
minha surpresa, tiveram falta alguns camaradas das classes de
oficiais e sargentos, que habitualmente não falham os nossos
encontros. Felizmente, tivemos o grato prazer de abraçar o Coronel
Rubi Marques – que foi comandante da CArt 738 – completamente
restabelecido da inoportuna maleita que o impediu de comparecer em
2012, como provou no brilhante improviso que proferiu na altura dos
brindes.
E,
como já referi acima, o tempo foi pouco atendendo à vontade que
tínhamos de falar com uns e com outros. Resta-nos esperar pelo
próximo encontro.
Aproveito
para colocar algumas fotografias do evento.
(*)
Na minha opinião, convém
frisar, para evitar que o reduzido lote de descontentes me volte a
enviar mensagens a dizer que não foi êxito nenhum: ou porque o
vinho branco estava pouco fresco, ou porque estava gelado e fazia mal
à garganta; ou então era o bacalhau que estava muito salgado, para
alguns, ou que tinha estado demasiado tempo a demolhar, para outros.
À entrada para o chamado "Salão de Eventos". A foto não consegue fazer jus à beleza da porta
A mesa da organização, com o incansável Silva Pereira, à esquerda
Um pequeno grupo da CArt 738, com o Sebastião Fagundes em primeiro plano, a pensar nas políticas dos "troikanos"
Fagundes, Casimiro, Rubi Marques e Duarte, recordam velhos tempos
Na sequência do texto anterior venho recordar que é já no próximo sábado que se realiza, na Quinta dos Loridos, no Carvalhal, o 27º almoço/convívio do Batalhão de Artilharia 741.
No último fim de semana a adesão dos nossos antigos camaradas era animadora, de tal modo que, a manter-se o ritmo durante esta semana, não será arriscado prever que chegaremos a um número de presenças ao nível das que se registaram no último ano, em Fátima.
Para abrir o "apetite", deixo aqui algumas fotos da última confraternização, que foram enviadas pela filha do Reimão, e que chegaram já um pouco "fora de prazo".
Assinalando
o 46º aniversário do regresso de Angola, terá lugar na Quinta dos
Loridos, localizada no Carvalhal, perto do Bombarral, em 9 de Março,
próximo, o 27º convívio do Batalhão de Artilharia 741.
Apesar
de se realizar na referida Quinta, o almoço será organizado pelo
restaurante a Lareira, das Caldas da Rainha, que já conhecemos por
lá termos realizado, com agrado geral, o convívio de 2007.
A
realização do almoço na Quinta dos Loridos, possibilita a visita
ao Buddha Eden Garden - Jardim da Paz, um espectacular jardim, de que podem ver algumas imagens neste vídeo
Mais
uma vez ficamos a dever ao espírito solidário do nosso camarada
Silva Pereira, da CArt 739, a realização de mais esta confraternização,
tarefa que tem tomado nos ombros ao longo dos últimos 20 anos, honra
lhe seja feita.
Faço
votos para que neste reencontro se repita, pelo menos, o êxito que
teve o de 2012, na Casa de S. Nuno, em Fátima.
P.S.
- Aqui fica o “programa de festas”:
BART
741
ALMOÇO-CONVÍVIO
Caro
amigo:
No
próximo dia 9 de Março (Sábado),
pelas 13 horas,
realizar-se-á, como vem sendo habitual todos os anos, mais um
almoço-convívio,
desta vez o 27º., emcomemoração do 46º.
aniversário do regresso do
BATALHÃO 741.
LOCAL
:
BUDDHA
EDEN - QUINTA DE LORIDOS
Carvalhal
– 2540-480 BOMBARRAL – Telf.: 262605240
Organização
do Restaurante A Lareira, das Caldas da Rainha
PROGRAMA:
ENTRADA
(a partir das 12
horas):Pão Caseiro e
Broa, Presunto Serrano cortado ao momento, Morcela de Arroz Assada,
Chouriço Grelhado, Tirinhas, Mini-Rissóis de Camarão, Mini-Pasteis
de Bacalhau, Mini-Croquetes de Carne, Vinho branco e tinto, Moscatel
de Setúbal, Gin Tónico, Águas, Sumos, Cerveja.
ALMOÇO
(cerca das 13 horas), Couvert:
Pão, Manteiga e Azeitonas. Sopas: Sopa de Pedra à
Ribatejana e Creme de Legumes à Francesa. Peixe: Bacalhau à
Minhota com batata dourada, bróculos e cenouras. Carne: Perna
de Porco Assada no Forno à Antiga, com arroz Primavera e pêssego
recheado. Sobremesa: Pudim
de Leite e Salada de Frutas. Bebidas: Vinho branco e
tinto Bacalhôa-JP, Aguas, Sumos e Refrigerantes.
CORTE
DO BOLO, na sequência do Almoço: Bolo Comemorativo e
Espumante Loridos.
BAR
ABERTO. MÚSICA AO VIVO. ENTRADA E VISITA DO JARDIM DO BUDDHA EDEN
GARDEN
LANCHE
(cerca das 17,30 horas): Pratos Quentes: Caldo Verde e Arroz de
Peixe Rico, à Nazareno; Doces: Filhós quentes, Torta de
laranja, Pão-de-Ló, Arroz doce, Pudim de Ovos, Doce de Bolacha com
café.
Preço
por Pessoa: Euros 25,00 (crianças até 3 anos não pagam; dos 4 aos
9 - Euros 12,50 )
MISSA:
Este
ano, não será mandada rezar a habitual Missa, a menos que o nosso
Capelão compareça à Confraternização. Não temos qualquer
contacto no Bombarral que permita organizar esta iniciativa
.
MUITO
IMPORTANTE:
PARA
QUE TUDO CORRA PELO MELHOR, É PRECISO SABER-SE COM ANTECEDÊNCIA
O
NÚMERO
DE PRESENÇAS
UM
SIMPLES TELEFONEMA, LOGO QUE POSSÍVEL, É QUANTO É PRECISO
Completam-se
hoje 48 anos sobre a data em que o Vera Cruz zarpou do Cais da Rocha
Conde de Óbidos, com destino a Luanda, levando a bordo quase três
mil militares, dos quais cerca de 800 constituíam o Batalhão de
Artilharia 741, de que fazia parte a Companhia de Artilharia 738. A
minha Companhia.
Desse
dia já lembrei quase tudo no texto que há dois anos escrevi aqui, quando iniciei neste blogue o relato de alguns
episódios que sobraram na minha memória, e que fazem parte da minha
história pessoal, bem como da dos 163 homens que formavam a CArt
738.
Nessa
manhã, depois do desfile, de embarcar, e de guardar as bagagens,
muitos camaradas voltaram ao cais para as derradeiras despedidas.
Também eu tinha a intenção de voltar a terra, mas depois de subir
até à amurada e de contemplar o “mar” de lágrimas que inundava
o cais, decidi poupar-me e já não voltei a desembarcar,
limitando-me a acenar para os familiares e amigos.
O Vera Cruz inicia a viagem
Não
me serviu de muito, porque quando soltaram as amarras do navio, e ele
começou a afastar-se do cais, houve como que um fenómeno de emoção
colectiva a que não escapei, e também as lágrimas, mansas, mas
intensas, deslizaram pelas minhas faces.
E
lá fomos, rio abaixo, mar fora, rumo a Luanda, onde aportaríamos 9
dias depois.
Entre
1961 e 1974, nesta quadra, era habitual a RTP e a Emissora Nacional
(E.N.) emitirem programas com mensagens de Natal dos militares
mobilizados na Guiné, Angola, ou Moçambique.
Estas
mensagens tinham como finalidade elevar a moral, quer dos que, por cá, sofriam
pelos riscos que corriam os seus familiares, quer dos próprios
combatentes.
Nas
mensagens gravadas, com som e imagem na RTP, ou apenas com som na
E.N., apesar dos ensaios prévios era habitual existir alguma atrapalhação,
fruto do natural nervosismo de quem nunca se tinha visto naquelas
andanças, sendo da praxe referir o bom estado de saúde do militar,
os votos de Feliz Natal, o desejo de prosperidades para o ano que se
aproximava, além de uma breve frase de despedida, antes de dar lugar
ao próximo “cliente”.
Claro
que as filmagens não fugiam a uma certa forma de encenação, pretendendo dar a
entender que estavam a ser feitas de modo mais ou menos improvisado
durante as operações militares. Num destes dois vídeos é
particularmente desajeitada a forma como apresentam o espectáculo
dos saltos da ponte para um curso de água, que acabam por se
revestir de alguma comicidade, que não estava por certo nas
intenções do “realizador”.
Na
altura, alguma suposta elite nacional gracejava, de forma jocosa, com
a frase que dá o título a este texto e que, algumas vezes – mas
não tantas como se fazia crer, e os vídeos que aqui incluo
provam-no – encerrava a mensagem.
Outra
frase ridicularizada entre os “bem pensantes” da praça, mas que
a realidade mostra que não era também tão frequente como se
pretendia, era a que manifestava o desejo de que quem por cá tinha
ficado tivesse um novo ano “cheio de propriedades”, em que se
trocava “prosperidades” por “propriedades”. (*) Com
o tempo, estas duas frases passaram a fazer parte do anedotário
nacional.
É
certo que a emissão destes programas servia os interesses políticos
do Governo do Estado Novo. Mas também não é menos verdade que os
familiares dos “actores” ficavam agarrados ao écran da
televisão, ou de ouvidos à escuta na E.N. à espera de ver e de
ouvir filhos, maridos, pais, etc.
Numa
época em que não se sonhava com a existência do Skype, ou do
telefone-satélite (às vezes nem as comunicações entre as
unidades, no terreno, funcionavam), e em que para fazer chamadas
telefónicas de Luanda para Lisboa cheguei a esperar mais de duas
horas na estação dos correios, a visão dos entes queridos na TV,
ou a audição na E.N. era um bálsamo que aliviava a ansiedade e a
aflição em que viviam por cá os familiares mais próximos de quem
estava no mato. E estou certo de que o seu Natal era um pouco menos
triste.
Salvo
uma eventual falha de memória, não passou por Lucunga nenhuma
destas equipas. É certo que durante a época em que as gravações
eram feitas – muito antes do Natal – eu estive duas vezes
ausente. Primeiro, no Hospital Militar, em Luanda, em tratamento a
uma fractura num braço, durante seis semanas, entre Agosto e
Setembro de 1965; e depois, um mês, entre Outubro e Novembro, em
gozo de férias. Mas creio que se por lá tivesse andado alguma
equipa a gravar, algum dos meus camaradas me teria falado disso mais
tarde.
(*)
(Não devemos esquecer-nos de que naquele tempo pelo menos 20% dos
soldados eram analfabetos. Numa recruta que dei na Serra da
Carregueira, ao preencher as fichas na recepção dos recrutas da
minha Companhia verifiquei, com grande surpresa, que a percentagem de
analfabetos era superior a 25%. Era esta a realidade, embora
legalmente a frequência da escola primária fosse obrigatória.)
P.S.
- Pese embora estarmos a viver um clima mais de depressão do que de festa,
não quero deixar de desejar a todos os que visitam este blogue, um
Natal Feliz. Quanto ao ano de 2013, espero que o consigamos atravessar sem naufragarmos.