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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O Desporto na Gabela



Equipas formadas antes do jogo de Andebol. Da equipa da Escola Técnica, identifico o João (o mais alto) e, à sua esquerda parece o Carioca; depois, o árbitro, Morais Soares, Simões da Silva, Pereira, Fagundes, Miranda Dias, Mourão, Vaz e Fonseca

À semelhança do que acontecia em Lucunga, também na Gabela a actividade desportiva constituia uma prática diária, embora com algumas condicionantes. Desde logo porque a área ocupada pelo quartel era muito diminuta em comparação com Lucunga. Por outro lado, porque os reduzidos terrenos planos disponíveis inviabilizavam a construção de espaços para a prática desportiva (um campo de Andebol, por exemplo), para complementar o pequeno campo de futebol existente que estava longe de possuir as dimensões mínimas, se bem que esta limitação acabasse por não ser inteiramente má. De facto, embora lá disputássemos renhidas partidas, raramente se encontravam disponíveis jogadores em número suficiente para se formarem equipas com onze de cada lado. Muitas vezes, para jogarmos sete contra sete, ou oito contra oito, incluiamos jovens moradores das sanzalas vizinhas.

A falta de futebolistas, em contraste com a realidade de Lucunga, justificava-se porque apenas dois pelotões estavam aquartelados na Gabela (o 4º pelotão fora colocado logo de início em Porto Amboim, e o 3º cedo foi para Vila Nova de Seles, tendo mais tarde sido deslocado para o Calulo), além de uma parte do pessoal estar ocupada com os diversos serviços indispensáveis ao funcionamento da Companhia, ou em serviço externo.


Antes do jogo. De pé: Mourão, Simões da Silva, Pereira e Fagundes; em baixo: Fonseca e Miranda Dias
(Falta aqui o Vaz)

Todavia, estas limitações não impediam que tomássemos parte nas diversas actividades desportivas da comunidade local.

Além de termos seis futebolistas integrados na equipa do principal clube local – ARA-Associação Recreativa do Amboim – que na época anterior tinha ascendido ao principal escalão do futebol angolano, disputámos durante o ano em que permanecemos na cidade, pelo menos, dois torneios de futebol de 5 (a que hoje se chama futsal, e que tem regras um pouco diferentes), apresentando duas equipas – uma constituida por cabos e soldados, que ganhou os dois torneios, e outra por oficiais e sargentos, que ficou em segundo lugar – que competiram com equipas de várias empresas. Porém, os jogos mais badalados eram os que nos opunham às equipas da Escola Técnica ou do Colégio Infante de Sagres. Quando jogávamos com estas equipas, o ambiente era de grande rivalidade desportiva, pelo que havia sempre grande afluência de público.


Fase do jogo de Voleibol. Da CArt 738: ao fundo, Fonseca; a bater a bola, Morgado; de costas, Simões da Silva
Do Colégio, apenas identifico o Rui Amaral, em segundo plano

Para lá destas competições, tinham lugar, às vezes, tardes desportivas isoladas, isto é, sem estarem integradas num qualquer torneio.

Foi o que aconteceu num fim de semana, cuja data não consigo precisar, mas que situo em Maio ou Junho, visto que das equipas fazia parte o tenente Simões da Silva, que era então o comandante de Companhia. No campo de jogos da Escola Técnica, disputámos um jogo de Andebol, tendo como oponente uma equipa constituida por alunos da referida Escola, e outro jogo, de Voleibol, em que defrontámos um conjunto do Colégio Infante de Sagres.


Campo onde se disputavam os jogos de Futebol de 5, propriedade da ARA 

Vencemos os dois jogos, e não fizemos mais do que a nossa obrigação, principalmente no que se refere ao Andebol, pois faziam parte da equipa dois jogadores que, antes de serem incorporados no serviço militar, eram praticantes da modalidade, jogando em equipas de topo: o alferes Fagundes, que era andebolista do Benfica, e o furriel Miranda Dias, que pertencia ao Belenenses, que para este jogo se deslocaram de Porto Amboim, onde estavam colocados.

Alguns meses mais tarde, disputámos desafios de Futebol de 5 e de Andebol, nas festas de Novo Redondo. Não me recordo do resultado do Andebol, embora pense que ganhámos, com forte oposição da equipa local, mas recordo-me que no futebol fomos claramente derrotados, para grande alegria dos nossos jovens adversários, tendo eu contribuido decisivamente para o resultado final, com a minha desastrosa actuação na defesa da baliza.


Da esq. para a dta.: Casimiro, Fonseca (que posição tão estranha!), Morgado, Pereira e Simões da Silva

(o Fagundes e o Miranda Dias, já deviam ir de volta para Porto Amboim)

Mas, pela satisfação que lhes proporcionei, valeu a pena a frangalhada que dei naquela noite. Aliás, se o comandante de Batalhão ainda fosse o tenente-coronel Cabrita Gil, quem sabe se ele não teria interpretado a minha actuação em benefício da população como uma forma de pôr em prática a Acção Psico-Social, e acabasse por me dar, no mínimo, um louvor.   

sábado, 9 de julho de 2011

Gabela - Olh'ó Passarinho!

(Clique na imagem para aumentar)


1-(?); 2-Albino Marinho; 3-(?); 4-(?); 5-Manuel Magalhães; 6 a 11 (?); 12-Pedro; 13 a 16 (?); 17 Tarcísio Alves?; 18 e 19 (?); 20-Manuel Morgado; 21-Morais Soares; 22-Hilário Grilo; 23-Custódio; 24-João Silva; 25-Brandão Pacheco; 26 a 28(?); 29-António Passarinho; 30-Manuel Morais; 31-João Redondo; 32 e 33 (?); 34-Manuel Rato; 35 e 35-A (?);  36-José Alves; 37 (?); 38 - António Luzia; 39-Nunes da Silva; 40-Carlos Fonseca; 41 e 42 (?); 43-Armindo Boleto; 44-José Bastos; 45-Augusto C. Fernandes; 46-António Gomes; 47 (?); 48-António Sousa; 49-Manuel Dias; 50-Ferreira da Silva; 51-José Claudino; 52-Joaquim Ramalho; 53-Ivo Resende; 54-Leonídio Torcato;  55-José Oliveira; 56-João Magro; 57-Simões da Silva; 58-(?); 59-José Rodrigues; 60-(?); 61-Francisco Morgado; 62(?); 63-Manuel Lopes; 64-António Azevedo; 65 e 66(?); 67-Manuel Ferreira; 68(?); 69-Casimiro Cerqueira; 70-José Pereira; 71-(?); 72-Francisco Tavares; 73(?); 74-Pereira




A foto que encima este texto foi-me enviada pelo Morais Soares, e foi tirada no quartel da Gabela, em frente ao edifício do comando. Nela estão fotografados 75 militares da Cart 738, que constituiam um pouco menos de metade dos efectivos da Companhia.

Não sei a data exacta em que teve lugar a sessão fotográfica, mas presumo que tenha sido entre Março e Julho de 1966, visto que na fotografia também figura o então tenente Simões da Silva (57) (que já nos deixou, vítima de cancro), que foi nosso comandante de Companhia durante aquele período, mais semana, menos semana.


A razão para apenas figurarem na foto 75 elementos, sendo certo que o efectivo da Cart 738 era de 163 militares, radica no facto de apenas estarem aquartelados na Gabela dois pelotões, bem como os indispensáveis serviços de apoio (cozinheiros, operadores de transmissões, condutores-auto, enfermeiros, etc.). O 4º pelotão estava instalado em Porto Amboim desde o início da mudança para o Quanza-Sul, em Fevereiro, e o 3º pelotão, ou estava em Vila Nova de Seles – que hoje se chama Uku Seles – , para onde foi deslocado algum tempo depois de chegarmos à Gabela, ou já tinha seguido para o Calulo, onde foi substituir CArt 739, entretanto transferida daquela localidade para o Leste de Angola. Ainda assim faltam alguns dos camaradas que permaneciam na Gabela, ou porque estavam a desempenhar tarefas inadiáveis (serviço de guarda, por exemplo), ou por estarem de férias (o que seria, provavelmente, o caso dos furriéis Vaz e Mourão, que embora pertencessem à Gabela, não estão na fotografia).

Nenhum dos rostos dos camaradas fotografados me é estranho, mas não consigo juntar o nome ao rosto de todos. Solicito, por isso, aos poucos camaradas que visitam o blogue (a maior dos que o visitam não fizeram parte do Bart 741), que me ajudem a completar a legenda, enviando o nome dos que identificarem - ou corrigindo algum que esteja trocado -  para o endereço cart738@gmail.com.

Estou a lembrar-me, entre outros, do Mário Abreu, que, embora “escondido", figura como seguidor do blogue e com quem tentei contactar telefonicamente para o nº que me deu quando nos encontrámos no almoço do Batalhão que se realizou na Barragem da Aguieira, mas sem êxito.

E, se algum dos leitores tiver (e quiser) enviar fotos desse tempo para publicação – à semelhança do que já fizeram o Sebastião Fagundes, o Morais Soares e o Jorge Isidoro, este último furriel-miliciano da Companhia que nos rendeu na Gabela –, ficarei grato.