As fotografias que acompanham este texto foram-me enviadas pelo antigo furriel-miliciano da Companhia de Caçadores 715 (CCaç 715), Carlos Cristóvão.
Na mensagem que as acompanhava, o Cristóvão escreveu que não tinha a certeza se a foto acima era da nossa Companhia (CArt 738), tirada quando passámos pela primeira vez na Missão a caminho de Lucunga, ou se seria da Companhia que os foi render quando a CCaç 715 foi transferida para o Leste de Angola.
Apesar da distância a que se encontrava o fotógrafo, e da consequente má definição dos rostos, parece-me que a fotografia retrata o 2º e o 3º pelotões da CArt 738, e que teve realmente lugar nas circunstâncias referidas pelo Carlos Cristóvão, porque julgo que consigo identificar cinco dos retratados.
Assim, o militar assinalado com o nº 1, é o comandante de Companhia, capitão Rubi Marques. Apesar de se encontar de costas para a objectiva, quer a posição muito peculiar dos braços, quer a do corpo, bem como a inclinação da cabeça, eram características que permitem a sua identificação, quase como se fossem as suas impressões digitais.
Com o nº 2, identifico o alferes-miliciano Francisco Morgado, comandante do 2º pelotão. O nº 3 é o alferes-miliciano Vítor Casimiro (dono de uma excelente voz e especialista do fado de Coimbra), comandante do 3º pelotão. O nº 4 é o furriel-miliciano José Rodrigues, comandante da 2ª secção, do 2º pelotão. Finalmente, o sargento Ferreira da Silva, comandante da 1ª secção, do 2º pelotão, é o nº 5.
Ao fundo, podem ver-se alguns dos camiões onde, “confortavelmente”, viajámos de Luanda para Lucunga, durante dois dias.
Não consigo identificar mais nenhum dos meus antigos camaradas. Se algum dos leitores o conseguir e me quiser informar, agradeço.
A outra fotografia, que o Cristóvão diz referir-se aos preparativos para uma operação onde intervieram várias Companhias, entre as quais teria estado a CArt 738, deixa-me alguma perplexidade, porque ele escreveu que os militares que se encontram à esquerda, “equipados” com capacetes de ferro, pertenciam à minha Companhia, e que os capacetes teriam sido motivo para algum gozo por parte do pessoal das outras unidades .
Ora, acho improvável que seja pessoal da CArt 738, não só porque nunca, antes ou depois, estive em nenhuma operação em que tivessemos usado capacetes (que, de resto, eram completamente inadequados ao tipo de actividades que levávamos a cabo), mas também porque nem sequer me lembro de alguma vez ter visto aquele material na nossa Companhia. Não estou a afirmar que não existiam, apenas digo que não tenho a menor ideia da sua existência (também neste particular, uma ajuda será bem-vinda).
Durante o período que estive em tratamento a uma fractura, no Hospital Militar, em Luanda, que coincidiu parcialmente com a estação seca, a CArt 738 esteve envolvida em várias operações conjuntas com outras unidades e, nalgumas, foram utilizados helicópteros para transporte de pessoal, como foi o caso desta, que pode ter coincidido com o referido período, o que explicaria que, se de facto lá esteve o nosso pessoal, eu não me recorde dela (mas, tendo ouvido relatos de outras operações dessa época, principalmente se o meu pelotão teve intervenção nelas, é estranho que não me falassem desta).
Há por aí alguém disponível para fazer luz sobre esta minha dúvida?











